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Quer mudar a cultura organizacional? Comece pelo contexto no qual as pessoas estão inseridas

Por Bruno Santana, Diretor de Produtos

Se nesta época do ano, em 2020, alguém dissesse que os brasileiros precisariam sair de casa com máscaras nos rostos, certamente alguém responderia “É claro, é carnaval!”. Só poderia ser no carnaval. Pessoas com máscaras nas ruas só em filmes e reportagens passadas no mundo oriental, onde culturalmente uma grande parcela da população as usa para evitar passar germes e doenças para outras, principalmente em locais de grande aglomeração, além de se proteger da poluição.

E então veio a pandemia de Covid-19. E nos vimos obrigados a adotar este acessório até então totalmente estranho ao nosso vestuário, com o objetivo de evitar transmitir ou contrair o novo coronavírus. E as pessoas começaram a comprar máscaras antes destinadas apenas a profissionais de saúde, produzir suas próprias máscaras de pano, buscar modelos mais adequados a exercícios físicos e com figuras infantis para crianças.

Faço este preâmbulo para chegar ao ponto central deste artigo. Uma das grandes verdades do mundo corporativo diz que mudanças de cultura organizacional são difíceis. Que mudar as pessoas é tarefa árdua (é mais fácil trocá-las), e que a cultura que se deseja mudar está tão entranhada nas pessoas e práticas organizacionais que a mudança só vai acontecer paulatinamente, com muita persistência e constância de propósito.

Mas será mesmo? Talvez a grande dificuldade em realizar mudanças organizacionais esteja no fato de desprendermos muito esforço tentando mudar as pessoas, quando deveríamos concentrar nossas energias em mudar o contexto organizacional onde elas estão inseridas. A mudança de hábito dos brasileiros na pandemia mostrou que as pessoas se adaptam rapidamente às mudanças de contexto. Não só máscaras, fomos obrigados a evitar abraços, beijos e outras demonstrações de afeto tão inerentes ao nosso dia a dia.

Claro que mudanças em empresas estão longe de ser comparadas a pandemia. Esta última trouxe e continua trazendo muita dor para famílias no mundo todo. Fomos forçados a mudar visando evitar mais sofrimento. As mudanças organizacionais, por sua vez, buscam melhorar resultados, corrigir rumos, trazer eficiência. A analogia visa apenas mostrar que a premissa de que pessoas são difíceis de mudar não é uma verdade absoluta. É mais eficiente alinhá-las com os novos objetivos organizacionais quando elas se encontram no novo contexto e o entendem.

Gerenciado o contexto, é preciso então identificar e saber como agir frente aos diversos tipos de reações que o time pode apresentar. Existem as pessoas que rapidamente entendem a necessidade da mudança e se identificam com o seu propósito. Elas não só usam as máscaras, mas explicam e convencem os demais sobre a necessidade de fazê-lo, atuando como verdadeiros agentes da transformação. São grandes aliados para o sucesso da realização das mudanças, e irão contribuir ativamente em todo o processo.

Também temos aqueles que tem boa vontade, mas ainda não entenderam muito bem o que precisam fazer ou como devem se enquadrar. E aí usam a máscara no queixo, pendurada na orelha, colocam máscara de crochê e retiram a mesma para conseguir conversar. Essas pessoas precisam de treinamento. Elas querem contribuir, só não sabem ainda bem como. Capacite incansavelmente, comunique bem as mudanças, e elas então saberão o que precisam fazer.

É verdade que existirão aqueles que entenderão o novo contexto, mas não concordarão com ele. Elas argumentarão porque são contrárias ao uso da máscara e demonstrarão insatisfação em usá-las, mas respeitarão as novas políticas e seguirão usando pois sabem que estão em um ambiente que exige coletividade. É importante ouvi-las porque podem contribuir para ajustes e melhorias nas mudanças implementadas. Com o tempo e aperfeiçoamentos, elas podem entender os motivos da mudança e passar a acreditar nela. Ou talvez procurem uma nova empresa para trabalhar porque não mais se sentem conectadas com os propósitos da organização. É uma atitude honesta e profissional.

E claro, existem os rebeldes e resistentes. Estes acham que a mudança é inútil, que não funciona, que não dará em nada, que as coisas sempre foram assim e nada precisa mudar. Também não contribuem, não propõem ajustes ou alternativas. Estão acostumados a andar na rua sem máscara e querem que respeitem sua liberdade de fazê-lo, olhando apenas para si. Conscientemente ou não, boicotarão as mudanças e influenciarão outras pessoas. Suas atitudes podem impactar negativamente nos resultados das mudanças, prejudicando a empresa e a todos os outros que acreditam nela. Elas precisam de feedbacks, mais treinamentos e avaliações. E se mesmo assim não adiantar, talvez seja preciso trocá-las por alguém que esteja mais alinhado com os novos tempos.

Portanto, quer promover uma mudança na cultura organizacional? Preocupe-se em mudar o contexto, e não diretamente as pessoas. Estas se adaptam, se adequam, contribuem, aperfeiçoam a mudança.

E este ano de 2021 continuaremos nos adaptando. Não haverá prévias nem carnaval. Contexto difícil, hein? Mas se segura mais um pouco que vai dar tudo certo. E até o fim da pandemia, use a máscara.